Palavras divididas que se multiplicavam
a cada permissão despretensiosa,
sabiam seu peso concedido
e ganhavam força a cada aprovação imposta
por quem achava que apenas sentia,
sem responsabilidades.
Hora de ficar dentro de mim
e reconhecer os olhos piscando assustados por lá.
Hora de ser sem precisar da culpa que pede pro medo ficar mais,
sem precisar do que eu não preciso.
O tempo pede de mim o que eu soube querer,
até antes de agora.
Natália Possas
terça-feira, 9 de setembro de 2014
quarta-feira, 19 de março de 2014
Palavrinhas que querem ser grandes
mas não estão dispostas a tocar
em palavrões como dedicação e conhecimento,
um dia aprendem a se contentar com a fofura dos elogios no diminutivo.
Natália Possas
mas não estão dispostas a tocar
em palavrões como dedicação e conhecimento,
um dia aprendem a se contentar com a fofura dos elogios no diminutivo.
Natália Possas
quinta-feira, 6 de março de 2014
Quatro palavras mais uma
não convencem,
não mudam pensamentos,
nem trazem atitudes.
Muitas palavras juntas,
por vezes não conseguem ao menos ser lidas até o fim.
Bons mesmo são os urros e gritos,
as brigas compradas por quem teve mais curtidas,
ou apareceu na TV por alguns segundos,
sem ao menos saber o que diz.
Boa mesmo é a falta de respeito por si próprio que prolifera
e se estende ao outros,
e contagia.
Boa mesmo é a alegria de quem desaprendeu a sorrir,
e teve que aprender a extrair alegria nas faltas dos outros.
Boa mesmo é a imagem que você fabrica de si todos os dias,
enquanto esquece de viver.
Ainda bem que nem todos gostam de coisas boas.
Natália Possas
terça-feira, 31 de dezembro de 2013
oração
Que todos
nós
possamos
conhecer cada vez mais
nossos
motivos de valer a pena.
Sejam eles
do tamanho do nosso amor,
da luz que
habita nos sorrisos sinceros
ou da
formiga que comeu meu doce hoje.
Que possamos
cada vez mais
nos despir
das condutas sociais imbecis (até hoje não conheci nenhuma que não fosse)
e das regras
carregadas de preconceitos.
Quem sabe
assim possamos conseguir nos vestir mais de nós mesmos
e respeitar
mais nossas vontades reais e a dos outros.
Não precisamos
de falsos pudores,
nem de
respeito fabricado
repleto de
ideologias que nos impedem de ser sinceros com nossos desejos.
Precisamos enxergar
pessoas
ao invés de
roupas, posições, gostos, cor, sexo, preferências e tanto mais.
E não me
venha falar de preconceito e humanidade
sem antes
saber exatamente o que isso significa.
Sem antes se
entender, se perguntar, se questionar.
E muito
menos venha dizer que as coisas melhoraram
e que o que está
aí é assim porque é.
As coisas
não melhoraram.
As pessoas é
que passaram a aceitar mais.
O
preconceito está nas vírgulas colocadas propositalmente nas frases inofensivas.
Deixe você.
Deixe o
outro.
Deixe o que
você pensou ser seu discurso.
Questione-se
e você vai perceber que a maioria das suas palavras não são suas.
Só estão lá
porque sempre foi assim.
Deixe-as.
Viva você.
Viva suas
palavras, suas verdades.
Descubra-se.
Desvende-se.
Depois disso
poderemos voltar ao assunto.
Natália Possas
sábado, 28 de setembro de 2013
Chamei meus amigos pra brincar de
queimada e fazer piquenique no parque. Eles adoraram. Ainda não fomos, estamos
tentando coincidir horários. Espero que paremos de tentar. A vontade de jogar
queimada só aumenta. Talvez por isso se assustem quando eu digo que tenho quase
trinta. Não pelo programa tachado com classificação para menores de doze anos, mas
pela vontade apreciando o agradável, que me chama sempre, e mais um dia.
Não é uma questão de aparência. É
simplesmente uma forma de precisar dos suspiros que o vento dá quando quer
levar os nossos sorrisos até alguém, de precisar do chão e de saber que rolar
nele faz bem pra alma. De brindar presentes que chegam das mãos de quem faz
carinho, de amar com tesão e admiração. Outro dia uma aluna disse que eu andava
sorrindo. É só o pavio dos meus sorrisos que é longo, e às vezes se estende até
o próximo.
Pessoas não desrespeitam outras
pessoas sem antes desrespeitarem elas mesmas. Eu simplesmente permito meus
anseios quando eles precisam estar mais à vontade pra ficar feliz, sem ter que
fazer relatório de motivos, necessidades, planos e consequências. Nem sempre eu
consigo; às vezes preciso arrancar coisas inúteis dentro mim.
Natália Possas
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
de onde vem a dança
O Passo queria ver a cor da estrada,
mas só podia sentir o cheiro,
estava perto demais pra enxergar algo.
Então começou a criar imagens com aromas.
Esqueceu que estava caminhando.
Dali em diante virou dança e foi deslizando pelas imagens.
Dizem que ele pode ser visto até hoje,
sempre que alguém se permite sentir.
Natália Possas
domingo, 8 de setembro de 2013
Nina manda beijos que voam como bolinhas de sabão.
Por onde passam deixam cor e pegam emprestados
os sorrisos de quem olha pra eles.
Eles sempre cumprem seu caminho.
Ela os guarda nos abraços de algum desconhecido.
Nina sempre quis fazer muita gente feliz,
mas ela só tinha uns poucos conhecidos.
Então começou a colecionar beijos,
que colecionavam sorrisos ,
que se criavam no aconchego dos abraços.
Se eu fosse você ficaria atento,
porque eles sempre vão à procura de novos abraços!
Por onde passam deixam cor e pegam emprestados
os sorrisos de quem olha pra eles.
Eles sempre cumprem seu caminho.
Ela os guarda nos abraços de algum desconhecido.
Nina sempre quis fazer muita gente feliz,
mas ela só tinha uns poucos conhecidos.
Então começou a colecionar beijos,
que colecionavam sorrisos ,
que se criavam no aconchego dos abraços.
Se eu fosse você ficaria atento,
porque eles sempre vão à procura de novos abraços!
Natália Possas
quinta-feira, 25 de julho de 2013
politizadas
As palavras cansaram de ficar à toa
e resolveram protestar contra a poeta aqui.
Tentei me fazer de desentendida,
mas nem o sono pôde vir em paz.
Ficaram cochichando nos meus ouvidos
palavras de ordem como verso e prosa.
Resolvi atender às reivindicações,
mas a greve delas me deixou sem argumentos
e só me restou fazer esse pronunciamento
assim sem muitas
linhas.
Natália Possas
quinta-feira, 2 de maio de 2013
Vermelha.
E também um pouco desbotada.
Capenga.
Manca.
Mas ainda sim útil.
Pode ser restaurada e até ficar
nova.
Por hora está bom.
Foi só o que uma cadeira velha
mereceu de mim hoje.
segunda-feira, 8 de abril de 2013
sintaxe
Meus
pés tocam o chão com cuidado. Fui treinada pra isso. Somos todos. Fico triste
quando percebo as vidas que não sabem sentir o vento e ainda o culpam pela
direção errada e depois mandam a conta pra quem dizem acreditar e seguir. Ah se
soubessem que quem chamam de Deus não rega preconceitos e nem paga contas
alheias. Somos responsáveis pelas nossas alegrias e tristezas, pelas
consequências delas e pelo que fazemos ou deixamos por conta disso. Somos
responsáveis por nosso egoísmo, pelas mentiras que insistimos em acreditar, pela
nossa falta de tolerância e pelo imenso preconceito que nos rege. Temos que
parar de justificar e assumir mais.
A
conta de Deus é impossível de ser calculada. Eu que vivi tão pouco já não me
recordo quantas vezes ouvi: “Deus lhe pague”, “se não foi é porque
Deus não quis”, ou “Deus quis assim” e “coloca sua vida nas mãos
de Deus que tudo vai se resolver”... e por aí se vão as palavras e as
responsabilidades. Até há sim uma profundidade nessas palavras, se ao menos quem as profere percebesse o que de fato diz... mas normalmente são ditas como desresponsabilização. É fácil despachar a culpa dos próprios fracassos e erros pro
outro, e se desabilitar da própria vida. Ainda mais quando esse alguém
não vai reclamar pessoalmente, melhor ainda quando você pode dizer que foi ele
que te ensinou a pensar assim e que você apenas segue as leis dele. Ele não vai
te livrar de todo mal e muito menos te dar o pão de cada dia. Isso é
responsabilidade sua. Não estou dizendo que Deus não existe. Apenas lamentando
que ele sirva de argumento pra embasar as mesquinharias diárias de cada um.
Acho que ele também lamenta.
Sei que não vou ver grandes
mudanças, mas elas vão existir. Sei também que quanto menos cuidado meus pés têm ao tocar o chão, mais minhas palavras vão gerar
desconforto. Sei ainda que as interpretações que damos ao que temos contato
sempre vêm a calhar. O mal da humanidade é a
humanidade. A solução também. Que Deus não lhe pague por ter lido isso e que
você consiga tirar as próprias conclusões agora e para sempre.
Natália Possas
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Vez ou outra as palavras pedem descanso.
Eu finjo que deixo
e elas sempre acham um jeito de falar.
Natália Possas
sábado, 26 de janeiro de 2013
Não pertenço a lugares,
pertenço a mim.
Vou aonde os sorrisos me chamam
e o barulho da chuva é mais sonoro.
Não quero as certezas pra sempre.
Preciso das dúvidas que mudam de ideia e de lugar.
Busco os cheiros fortes
dos pedaços de mundo que eu vou montando
sem que quase ninguém perceba.
Quero as dores do cansaço criado no balão
que eu inventei pra ter o que decorar.
Pertenço ao que eu permito pertencer,
porque era importante,
ou porque a vontade pediu.
As minhas certezas adoram dar cria.
Meus ideais se bastam com a minha aprovação,
mesmo quando quase ninguém acredita neles.
Falando francamente,
os ideais em que a maioria acredita
costumam ser bem...
limitados (ah consegui não dizer burros!).
Natália Possas
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Às vezes o nome de algumas coisas muda quando eu as
pronuncio.
Já chamei cadeira de elevador, TV de geladeira...
Não sei bem porque e nem quando isso acontece,
e é mais frequente do que eu gostaria.
Às vezes é engraçado.
Às vezes não.
Normalmente sai antes que eu perceba.
Já percebi tantas coisas que não disse.
Se eu disser tudo que eu percebo...
Já disse um monte de outras sem perceber.
Se eu percebesse tudo que eu digo...
Eu vivo encontrando novidades dentro de mim.
Algumas eu descubro já velhinhas,
outras acabando de nascer.
É bem provável que muitas passem despercebidas.
Dizem que a gente sempre sabe de si e sempre se entende.
Discordo.
Às vezes eu perco algumas cenas dentro de mim,
e como sou desorganizada acabo não encontrando.
Às vezes eu escrevo sem saber por que (como agora),
e até mesmo sem entender o que está escrito.
Nem tudo precisa ser entendido, encontrado, explicado.
Esse texto deve estar chato.
Não precisa terminar de ler.
Se quiser pode ir procurar as coisas perdidas dentro de
você,
e me deixar aqui sozinha.
Não precisa mais me dar essa atenção.
Esse texto não merece.
São apenas palavras transbordando.
Não gosto de escrever coisas que acho ruins.
Mas às vezes é preciso,
porque dá vontade.
Isso já é motivo suficiente.
Se for o único já está de bom tamanho.
Se chegou até aqui, obrigada.
Até o próximo,
e que ele seja bem melhor.
Natália Possas
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