Nós. Mãos. Abraços. Pé. Respiração. Suor. Palpitação. Rua. Carros. Pássaros cantando. Formiga. Avião. Gente falando. Cheiro de planta. Cheiro de asfalto. Cheiro de gente. Bolsas. Janela. Dobradiça barulhenta. Sol. Vento. Folhas. Fios.
Ufa um segundo já foi. As mãos cansaram antes de terminarem as percepções.
Natália Possas
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
Corações sorriem por essência,
sorrisos gostam de respostas.
Nem sempre elas chegam.
Então os sorrisos precisam aprender a beijar corações
mesmo que seja através de um monólogo.
Natália Possas
sorrisos gostam de respostas.
Nem sempre elas chegam.
Então os sorrisos precisam aprender a beijar corações
mesmo que seja através de um monólogo.
Não podemos abrir paredes
sem a permissão de quem vive atrás delas.
Seja quem for.
Inclusive nós mesmos.
Natália Possas
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
Nossas permissões contra e a favor são muito maiores do que
imaginamos.
Nossa força sucumbe apenas à perda da vontade de ser,
sentir.
Somos grandes.
Todos nós.
Por isso e apenas por isso
temos energia bastante
pra nos derrubarmos,
pra deixarmos de ser,
pra gerar doenças
e sofrer com as conseqüências de tudo isso.
Simplesmente por não darmos permissão a nós mesmos de nos
ouvir.
Somos cruéis com quem mais deveríamos cuidar... nós.
Não podemos nos preocupar verdadeiramente com os outros sem
cuidar de nós.
Precisamos entender nossas necessidades verdadeiras
e esquecer as fabricadas.
Mas pra isso é necessário quebrar regras, certezas
irrefutáveis e convicções.
O simples não precisa de obstáculos
e somos tão simples,
tão verdadeiramente naturais por essência.
Quebrar nossa essência deveria ser mais difícil
do que acreditar nas certezas fabricadas.
E é.
Por isso nos permitimos tanto sofrimento.
Fazemos um esforço extraordinário pra não sermos nós.
Quanta energia desperdiçada,
quanta fome e gritos dentro de nós,
quanto trabalho na posição errada.
Nos envenenamos porque permitimos isso.
Nos permitimos sentimentos e escolhas ruins,
nos alimentamos da pior forma.
Como alguém que faz tão mal para si quer sem bom com alguém?
Precisamos respeitar e cuidar ao invés de definhar.
Pois é isso que fazemos a cada sorriso vetado.
E a cada suspiro que não foi.
terça-feira, 9 de setembro de 2014
E quando os olhos sentem cheiro ruim,
sem aceitar que só estão lá pra enxergar,
é hora de entender,
parar,
de retirar permissões descabidas
que impedem as paisagens decoradas com flor
de serem apreciadas.
O cheiro fabricado só é sentido após as permissões silenciosas.
Natália Possas
sem aceitar que só estão lá pra enxergar,
é hora de entender,
parar,
de retirar permissões descabidas
que impedem as paisagens decoradas com flor
de serem apreciadas.
O cheiro fabricado só é sentido após as permissões silenciosas.
Natália Possas
Palavras divididas que se multiplicavam
a cada permissão despretensiosa,
sabiam seu peso concedido
e ganhavam força a cada aprovação imposta
por quem achava que apenas sentia,
sem responsabilidades.
Hora de ficar dentro de mim
e reconhecer os olhos piscando assustados por lá.
Hora de ser sem precisar da culpa que pede pro medo ficar mais,
sem precisar do que eu não preciso.
O tempo pede de mim o que eu soube querer,
até antes de agora.
Natália Possas
a cada permissão despretensiosa,
sabiam seu peso concedido
e ganhavam força a cada aprovação imposta
por quem achava que apenas sentia,
sem responsabilidades.
Hora de ficar dentro de mim
e reconhecer os olhos piscando assustados por lá.
Hora de ser sem precisar da culpa que pede pro medo ficar mais,
sem precisar do que eu não preciso.
O tempo pede de mim o que eu soube querer,
até antes de agora.
Natália Possas
quarta-feira, 19 de março de 2014
Palavrinhas que querem ser grandes
mas não estão dispostas a tocar
em palavrões como dedicação e conhecimento,
um dia aprendem a se contentar com a fofura dos elogios no diminutivo.
Natália Possas
mas não estão dispostas a tocar
em palavrões como dedicação e conhecimento,
um dia aprendem a se contentar com a fofura dos elogios no diminutivo.
Natália Possas
quinta-feira, 6 de março de 2014
Quatro palavras mais uma
não convencem,
não mudam pensamentos,
nem trazem atitudes.
Muitas palavras juntas,
por vezes não conseguem ao menos ser lidas até o fim.
Bons mesmo são os urros e gritos,
as brigas compradas por quem teve mais curtidas,
ou apareceu na TV por alguns segundos,
sem ao menos saber o que diz.
Boa mesmo é a falta de respeito por si próprio que prolifera
e se estende ao outros,
e contagia.
Boa mesmo é a alegria de quem desaprendeu a sorrir,
e teve que aprender a extrair alegria nas faltas dos outros.
Boa mesmo é a imagem que você fabrica de si todos os dias,
enquanto esquece de viver.
Ainda bem que nem todos gostam de coisas boas.
Natália Possas
terça-feira, 31 de dezembro de 2013
oração
Que todos
nós
possamos
conhecer cada vez mais
nossos
motivos de valer a pena.
Sejam eles
do tamanho do nosso amor,
da luz que
habita nos sorrisos sinceros
ou da
formiga que comeu meu doce hoje.
Que possamos
cada vez mais
nos despir
das condutas sociais imbecis (até hoje não conheci nenhuma que não fosse)
e das regras
carregadas de preconceitos.
Quem sabe
assim possamos conseguir nos vestir mais de nós mesmos
e respeitar
mais nossas vontades reais e a dos outros.
Não precisamos
de falsos pudores,
nem de
respeito fabricado
repleto de
ideologias que nos impedem de ser sinceros com nossos desejos.
Precisamos enxergar
pessoas
ao invés de
roupas, posições, gostos, cor, sexo, preferências e tanto mais.
E não me
venha falar de preconceito e humanidade
sem antes
saber exatamente o que isso significa.
Sem antes se
entender, se perguntar, se questionar.
E muito
menos venha dizer que as coisas melhoraram
e que o que está
aí é assim porque é.
As coisas
não melhoraram.
As pessoas é
que passaram a aceitar mais.
O
preconceito está nas vírgulas colocadas propositalmente nas frases inofensivas.
Deixe você.
Deixe o
outro.
Deixe o que
você pensou ser seu discurso.
Questione-se
e você vai perceber que a maioria das suas palavras não são suas.
Só estão lá
porque sempre foi assim.
Deixe-as.
Viva você.
Viva suas
palavras, suas verdades.
Descubra-se.
Desvende-se.
Depois disso
poderemos voltar ao assunto.
Natália Possas
sábado, 28 de setembro de 2013
Chamei meus amigos pra brincar de
queimada e fazer piquenique no parque. Eles adoraram. Ainda não fomos, estamos
tentando coincidir horários. Espero que paremos de tentar. A vontade de jogar
queimada só aumenta. Talvez por isso se assustem quando eu digo que tenho quase
trinta. Não pelo programa tachado com classificação para menores de doze anos, mas
pela vontade apreciando o agradável, que me chama sempre, e mais um dia.
Não é uma questão de aparência. É
simplesmente uma forma de precisar dos suspiros que o vento dá quando quer
levar os nossos sorrisos até alguém, de precisar do chão e de saber que rolar
nele faz bem pra alma. De brindar presentes que chegam das mãos de quem faz
carinho, de amar com tesão e admiração. Outro dia uma aluna disse que eu andava
sorrindo. É só o pavio dos meus sorrisos que é longo, e às vezes se estende até
o próximo.
Pessoas não desrespeitam outras
pessoas sem antes desrespeitarem elas mesmas. Eu simplesmente permito meus
anseios quando eles precisam estar mais à vontade pra ficar feliz, sem ter que
fazer relatório de motivos, necessidades, planos e consequências. Nem sempre eu
consigo; às vezes preciso arrancar coisas inúteis dentro mim.
Natália Possas
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
de onde vem a dança
O Passo queria ver a cor da estrada,
mas só podia sentir o cheiro,
estava perto demais pra enxergar algo.
Então começou a criar imagens com aromas.
Esqueceu que estava caminhando.
Dali em diante virou dança e foi deslizando pelas imagens.
Dizem que ele pode ser visto até hoje,
sempre que alguém se permite sentir.
Natália Possas
domingo, 8 de setembro de 2013
Nina manda beijos que voam como bolinhas de sabão.
Por onde passam deixam cor e pegam emprestados
os sorrisos de quem olha pra eles.
Eles sempre cumprem seu caminho.
Ela os guarda nos abraços de algum desconhecido.
Nina sempre quis fazer muita gente feliz,
mas ela só tinha uns poucos conhecidos.
Então começou a colecionar beijos,
que colecionavam sorrisos ,
que se criavam no aconchego dos abraços.
Se eu fosse você ficaria atento,
porque eles sempre vão à procura de novos abraços!
Por onde passam deixam cor e pegam emprestados
os sorrisos de quem olha pra eles.
Eles sempre cumprem seu caminho.
Ela os guarda nos abraços de algum desconhecido.
Nina sempre quis fazer muita gente feliz,
mas ela só tinha uns poucos conhecidos.
Então começou a colecionar beijos,
que colecionavam sorrisos ,
que se criavam no aconchego dos abraços.
Se eu fosse você ficaria atento,
porque eles sempre vão à procura de novos abraços!
Natália Possas
quinta-feira, 25 de julho de 2013
politizadas
As palavras cansaram de ficar à toa
e resolveram protestar contra a poeta aqui.
Tentei me fazer de desentendida,
mas nem o sono pôde vir em paz.
Ficaram cochichando nos meus ouvidos
palavras de ordem como verso e prosa.
Resolvi atender às reivindicações,
mas a greve delas me deixou sem argumentos
e só me restou fazer esse pronunciamento
assim sem muitas
linhas.
Natália Possas
quinta-feira, 2 de maio de 2013
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