domingo, 8 de setembro de 2013

Nina manda beijos que voam como bolinhas de sabão.
Por onde passam deixam cor e pegam emprestados
os  sorrisos de quem olha pra eles.
Eles sempre cumprem seu caminho.

Ela os guarda nos abraços de algum desconhecido.
Nina sempre quis fazer muita gente feliz,
mas ela só tinha uns poucos conhecidos.

Então começou a colecionar beijos, 
que colecionavam sorrisos ,
que se criavam no aconchego dos abraços.

Se eu fosse você ficaria atento, 
porque eles sempre vão à procura de novos abraços!

Natália Possas

quinta-feira, 25 de julho de 2013

politizadas

As palavras cansaram de ficar à toa
e resolveram protestar contra a poeta aqui.
Tentei me fazer de desentendida,
mas nem o sono pôde vir em paz.

Ficaram cochichando nos meus ouvidos
palavras de ordem como verso e prosa.
Resolvi atender às reivindicações,
mas a greve delas me deixou sem argumentos
e só me restou fazer esse pronunciamento
assim sem muitas linhas.

Natália Possas

quinta-feira, 2 de maio de 2013


Vermelha.
E também um pouco desbotada.
Capenga.
Manca.
Mas ainda sim útil.
Pode ser restaurada e até ficar nova.
Por hora está bom.
Foi só o que uma cadeira velha mereceu de mim hoje.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

sintaxe

Meus pés tocam o chão com cuidado. Fui treinada pra isso. Somos todos. Fico triste quando percebo as vidas que não sabem sentir o vento e ainda o culpam pela direção errada e depois mandam a conta pra quem dizem acreditar e seguir. Ah se soubessem que quem chamam de Deus não rega preconceitos e nem paga contas alheias. Somos responsáveis pelas nossas alegrias e tristezas, pelas consequências delas e pelo que fazemos ou deixamos por conta disso. Somos responsáveis por nosso egoísmo, pelas mentiras que insistimos em acreditar, pela nossa falta de tolerância e pelo imenso preconceito que nos rege. Temos que parar de justificar e assumir mais. 

A conta de Deus é impossível de ser calculada. Eu que vivi tão pouco já não me recordo quantas vezes ouvi: “Deus lhe pague”, “se não foi é porque Deus não quis”, ou “Deus quis assim” e “coloca sua vida nas mãos de Deus que tudo vai se resolver”... e por aí se vão as palavras e as responsabilidades. Até há sim uma profundidade nessas palavras, se ao menos quem as profere percebesse o que de fato diz... mas normalmente são ditas como desresponsabilização. É fácil despachar a culpa dos próprios fracassos e erros pro outro, e se desabilitar da própria vida. Ainda mais quando esse alguém não vai reclamar pessoalmente, melhor ainda quando você pode dizer que foi ele que te ensinou a pensar assim e que você apenas segue as leis dele. Ele não vai te livrar de todo mal e muito menos te dar o pão de cada dia. Isso é responsabilidade sua. Não estou dizendo que Deus não existe. Apenas lamentando que ele sirva de argumento pra embasar as mesquinharias diárias de cada um. Acho que ele também lamenta.

Sei que não vou ver grandes mudanças, mas elas vão existir. Sei também que quanto menos cuidado meus pés têm ao tocar o chão, mais minhas palavras vão gerar desconforto. Sei ainda que as interpretações que damos ao que temos contato sempre vêm a calhar. O mal da humanidade é a humanidade. A solução também. Que Deus não lhe pague por ter lido isso e que você consiga tirar as próprias conclusões agora e para sempre. 

Natália Possas

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Vez ou outra as palavras pedem descanso. 
Eu finjo que deixo 
e elas sempre acham um jeito de falar.



Natália Possas

sábado, 26 de janeiro de 2013


Não pertenço a lugares,
pertenço a mim.
Vou aonde os sorrisos me chamam
e o barulho da chuva é mais sonoro.
Não quero as certezas pra sempre.
Preciso das dúvidas que mudam de ideia e de lugar.
Busco os cheiros fortes
dos pedaços de mundo que eu vou montando
sem que quase ninguém perceba.
Quero as dores do cansaço criado no balão
que eu inventei pra ter o que decorar.

Pertenço ao que eu permito pertencer,
porque era importante,
ou porque a vontade pediu.
As minhas certezas adoram dar cria.
Meus ideais se bastam com a minha aprovação,
mesmo quando quase ninguém acredita neles.
Falando francamente,
os ideais em que a maioria acredita 
costumam ser bem...
limitados (ah consegui não dizer burros!).

Natália Possas

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013


Às vezes o nome de algumas coisas muda quando eu as pronuncio.
Já chamei cadeira de elevador, TV de geladeira...
Não sei bem porque e nem quando isso acontece,
e é mais frequente do que eu gostaria.
Às vezes é engraçado.
Às vezes não.
Normalmente sai antes que eu perceba.
Já percebi tantas coisas que não disse.
Se eu disser tudo que eu percebo...
Já disse um monte de outras sem perceber.
Se eu percebesse tudo que eu digo...
Eu vivo encontrando novidades dentro de mim.
Algumas eu descubro já velhinhas,
outras acabando de nascer.
É bem provável que muitas passem despercebidas.
Dizem que a gente sempre sabe de si e sempre se entende.
Discordo.
Às vezes eu perco algumas cenas dentro de mim,
e como sou desorganizada acabo não encontrando.
Às vezes eu escrevo sem saber por que (como agora),
e até mesmo sem entender o que está escrito.
Nem tudo precisa ser entendido, encontrado, explicado.
Esse texto deve estar chato.
Não precisa terminar de ler.
Se quiser pode ir procurar as coisas perdidas dentro de você,
e me deixar aqui sozinha.
Não precisa mais me dar essa atenção.
Esse texto não merece.
São apenas palavras transbordando.
Não gosto de escrever coisas que acho ruins.
Mas às vezes é preciso,
porque dá vontade.
Isso já é motivo suficiente.
Se for o único já está de bom tamanho.
Se chegou até aqui, obrigada.
Até o próximo,
e que ele seja bem melhor.

Natália Possas

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012


Nunca tive o hábito de escrever sobre ano novo e velho. Na verdade não sou de cultivar hábitos. Prefiro me render às vontades. Como faço agora, deixando as palavras saírem sem controlar o que vão ser.

Sei que as pessoas precisam de regras. Pelo menos a maioria delas. Que de hoje em sempre algumas possam ser quebradas com o coração leve. Que todos aprendam a escolher suas regras e que elas se transformem em escolhas e não fiquem mais lá só porque sempre foi assim.

Há tantos valores, posturas e barreiras aparentemente imutáveis, mas normalmente quem os usa não costuma se perguntar o motivo. Ele já está na ponta da língua: “porque é assim”. Dessa forma fica mais confortável, é como se tudo se justificasse, inclusive os fracassos e as desistências. O rumo é desenhado por nós. Que de hoje em sempre todos possam assumir suas escolhas e as consequências delas sem frases prontas. Que os sorrisos sejam largos e sem hora marcada pra terminar.

Quando os olhos se preocupam em sorrir, o resto do corpo responde sem precisar determinar mais nada. Julgamentos são apenas definições ínfimas que não cabem em nenhum outro lugar senão no coração de quem não se permite sentir.

Que de hoje em sempre todos possam desejar ver os carinhos do dia de ombros relaxados e pés descalços, permitindo pensamentos deliciosamente desarmados, chamando as atitudes pra dançar sem pensar em quem assiste.

Feliz novo de hoje em sempre!
Natália Possas

domingo, 30 de dezembro de 2012

de presente

para Hely

Dias especiais fazem a gente querer ficar 
e ficar...

Amigaaaa que fez seus abraços fazerem parte da minha vida 
e guardou as palavras que eu ainda preciso debaixo do meu travesseiro,
pra eu poder ouvir sempre que precisar.
Seus cuidados sempre estão a postos
e sabem a hora de dar bom dia. 

Sorriso decidido que não perde as reticências
nem o brilho que faz a gente querer ficar perto 
ouvindo você dizer amigaaaa.

Esse ano meu coração quis te presentear 
e embrulhou minhas palavras.
Feliz aniversário!
Amo.

Natália Possas

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012


As lágrimas não vieram.
É que eu mandei que ficassem esperando do lado de fora.
Que pretensão achar que podiam vir antes do brilho nos olhos!

Natália Possas

domingo, 23 de dezembro de 2012


Cochicho bom das palavras conversando dentro de mim.
Me pediram pra chegar na janela
e ouvir os barulhos do dia.
E não é que tinha um passarinho cantando à capela pra mim!

Natália Possas

domingo, 10 de junho de 2012

Palavras sem nome

Preciso mergulhar nas minhas verdades, que eu criei sabendo ser o certo. Cansei de verdades impostas pela raiva de quem não sabe o que diz, nem o que faz. Mas se delicia com o desespero alheio. Há olhares tão imersos em sensações ruins criadas por e para si que os momentos de paz não sobrevivem. As energias são tão ruins que os olhares não podem sozinhos, eles precisam trazer outros. Mais. Sempre. Imagens com gosto tão ruim que a alegria pede pra ficar a uma distância segura. Esses olhares não sabem mais a importância dos laços de carinho, dos sorrisos despretensiosos. Acho que nunca souberam. Eles precisam machucar a terra limpa que ainda tem muito o que fazer.

Infelizmente há quem não saiba lidar com olhos rancorosos. Eu também não sei. Mas tenho certezas, alma leve por essência, sorriso a postos, vontade e mais vontade, resiliência, olhares bons que me elegeram parte da família. Há tantos olhares que gostam de mim e que me fazem bem. Há tanto mundo e descobertas. Há tanto amor, sorriso e mãos dadas, que o peso de quem não sabe o que é isso não pode chegar.

Nossas vidas e o rumo delas são responsabilidade de cada um de nós, de mais ninguém. Sempre há escolhas. As minhas tem som de gargalhadas e cheiro de amor.

Natália Possas

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Enquanto os valores impostos sem questionamento forem maiores do que os sorrisos, o caráter bom, a amizade, o respeito e tantas outras delícias que muitos não sabem apreciar, o nosso senso comum de certo e errado vai continuar se tornado cada vez mais imbecil. E as pessoas cada vez mais imersas nesse conforto que nem elas mesmas sabem o que diz. Questionamentos existem aos montes. Pena que boa parte deles seja dentro de algo já estabelecido, do olhar que muitos compartilham em silêncio.

Natália Possas